19 de maio de 2012

East Los Angeles, reduto de etnias.

Los Angeles foi fundada em 4 de setembro de 1781, pelo governador espanhol Felipe de Neve como El  Pueblo de Nuestra Señora la Reina de los Angeles del Río de Porciúncula. O governador espanhol da Califórnia enviou soldados que ofereceriam dinheiro, terras, animais e equipamentos para aqueles que se dispusessem a colonizar a região. Entre as pessoas que foram morar na Califórnia, encontravam-se alguns poucos espanhóis, uns indígenas e a maioria de africanos.

Com a independência do México em 1821, o estado da Califórnia, em que Los Angeles faz parte, torna-se posse dos mexicanos. Em seguida aos espanhóis, os americanos em 1841 começaram a morar na cidade. Mesmo assim os espanhóis ainda eram a maioria.

De 1846-1848, o México se envolve em uma guerra contra os Estados Unidos e perde com isso os territórios da Califórnia, o Novo México e o Arizona, pelo Tratado de Guadalupe Hidalgo, mantendo o território da Baixa Califórnia. Em 4 de abril de 1850, Los Angeles ganha o status de cidade, e cinco meses depois, a Califórnia torna-se o 31º estado dos Estados Unidos.

A tão famosa Chinatown dos cinemas estado-unidense, como exemplo a exibida no filme "Chinatown" com Jack Nicholson (me recuso a chamá-los de americanos, pois todos somos e não só eles como eles vêem essa situação; nem norte-americanos pois este termo designa os 3 países da América do Norte), sofre uma revolta popular em 1871, devido a uma briga entre duas gangues chineses onde um branco morre e resulta ao final de tudo na briga entre entre alguns brancos revoltosos com a morte de seu similar e casas e comércios assaltados.

Já em 1920, os políticos de Los Angeles criaram uma lei que restringia a compra de casas para afro-americanos, mexicanos, asiáticos e judeus, somente autorizando a moradia destes em determinados bairros.

Los Angeles se expandiu com a anexação de cidades vizinhas como Hollywood, San Pedro, Van Nuys e Westwood entre as décadas de 1950 e 1990, que hoje são distritos da cidade.

Dentre as várias etnias que existem na cidade, encontram-se: armênios, cambojianos, filipinos, guatemaltecos, israelenses, tailandeses, mexicanos, húngaros e salvadorenhos. Advindos de constantes imigrações.

East Los Angeles, uma região da cidade de L.A., possui ruas largas, poucos prédios, monumentos, pontos turísticos como El Alisal e localidades retratadas em filmes, como El Pino, no filme Blood in Blood Out. O filme Boulevard Nights, ou em músicos à exemplo de Kid Frost.

Abaixo segue algumas imagens de murais grafitados pelas ruas de East Los Angeles, mostrando o orgulho das origens desses povos (etnias) que aí vivem em relação ao local de onde vieram:

La Pared Que Habla, Canta y Grita: Pintura de Paul Botello, com apoio de Adalberto Ortiz, Gerardo Herrera e Gustavo Sanchez. Um protesto ao assassinato de um jornalista mexicano, por um policial durante a passeata National Chicano Moratorium March, contra a Guerra do Vietnã, em 1970.


Jobs Not Jails: Mais empregos, menos cadeias. Mural da Homeboy Industries, que ajuda à comunidade na criação de mais empregos.


Together: Pintura de Christina Miguel, com apoio da East-West Community. Faz homenagem à imigração chinesa aos Estados Unidos, e às dificuldades enfrentadas por aquele povo.


Cultural Identity Indicating Time in Perpetual Movement: Pintura de Eloy Torrez, fazendo homenagem às maiores figuras mexicanas e chicanas, fundamentais no processo de consolidação do México enquanto identidade cultural.


Nesta pintura à parte quero fazer uma observação. Desde o tempo da Revolução Mexicana, Pancho Villa, outro líder revolucionário assim como Zapata, fez muito pela revolução. Mas as autoridades mexicanas fizeram com que ele caísse no esquecimento, então por muitos anos não se encontravam nas ruas monumentos, imagens ou citações falando a respeito de Pancho Villa. Hoje em dia a imagem dele está sendo reconstruída, estão buscando saber mais a fundo quem foi exatamente Pancho Villa, não o que ele fez, mas quem realmente ele era, qual sua personalidade, se estava engajado mesmo na revolução ou se só estava buscando mérito pessoal ou se experiência militar de combate. Fato é que suas ações foram muito mais relevantes para o México do que as de Francisco Madero, que só foi o iniciador da revolução, em que buscou interesses próprios, como na maioria das vezes, vários interesses políticos apresentam interesses econômicos. Incrível me parece o fato de Pancho Villa não ter tido um espaço ao menos pequeno na pintura de Eloy Torrez. Será mesmo que anos depois da revolução, ele não merecia ao menos ser lembrado com uma singela homenagem a sua pessoa por Torrez?

Ghosts of The Barrio: Pintura de Wayne Healy, retratando os "homies" acompanhados de seus ancestrais culturais, tais quais o Azteca, o Conquistador e o Mestizo.


Untitled: Graffiti pintado por Vyal, Retna, Werc e Kofie em 2008.


Um dos clássicos de East Los Angeles, é o mural pintado por Paul J. Botello, em 1991. Retrata o caos urbano da vida, começando nas balas perdidas atingindo meros esqueletos (mortos) na ponta esquerda, indo ao centro (Nossa Senhora de Guadalupe) e à direita, onde está a esperança da população.


Homenagem aos mestres mexicanos, feito em 2004.

13 de maio de 2012

A Firma 1989: Claque do FK Vojvodina da Sérvia


O FK Vojvodina foi fundado secretamente no dia 6 de março de 1914, em um apartamento localizado na rua Temerinska, nº 12 na cidade de Novi Sad, que faz parte da região de Vojvodina, um condado autônomo da Sérvia, uma vez que as autoridades Austro-Húngaras aplicavam a censura em qualquer ato organizado, incluindo desportos, na região sul do reino, cuja população era basicamente formada por eslavos, especialmente os sérvios. O primeiro jogo do clube foi uma vitória contra o FK Sajkas, na vila de Kovilj: uma goleada de 5x0. Naquele tempo, o uniforme principal do FK Vojvodina era um azul claro, passando a mudar mais tarde para o tradicional vermelho e branco, inspirado no SK Slavia Prague, um clube de futebol tcheco.


O auge do FK Vojvodina veio nos tempos da República Socialista Federativa da Iugoslávia (SFRY), quando ganhou dois títulos da Primeira Liga Iugoslava, em 1966 e em 1989, além de ter participado de muitas edições da UEFA Cup. Atualmente o clube faz boas campanhas, fazendo frente a grandes clubes como o Red Star Belgrade e o FK Partizan, também de Belgrado, disputando vez ou outra edições da Copa UEFA e da Europa League.

Sua torcida é conhecida como The Firm (A Firma, em português, Firmasi em sérvio). Fundada em 1989, A Firma é uma das cinco maiores claques da Sérvia, contando com cerca de 10000 integrantes ativos, sendo muitos deles, apenas sócios fiéis do FK Vojvodina. Seus membros são conhecidos como Ultras, e não como hooligans em si, pela maneira vibrante de torcer e de defender as cores do seu clube. Em 2011, A Firma fez uma mega ação de doação de sangue, para transfusões nos hospitais da Sérvia, algo raro em se tratando de torcidas, e de extrema honra. Seus subgrupos consistem em algumas difusões, tais quais a G-3, UltraNS, Freaks, Pandora, Backi Odred, entre outras. Mostrando lealdade, honra e um amor absurdamente gigantesco pelo FK Vojvodina, A Firma 1989 se coloca entre uma das grandes torcidas de todo o mundo.

Nos vídeos e fotos abaixo, o registro de um dos grandes derbys do Leste Europeu, captados através dos olhos da torcida do FK Vojvodina, A Firma 1989, na Sérvia. É o jogo contra o FK Partizan, da capital Belgrado, em um dos clássicos regionais daquele país:






Bandeira em homenagem ao Deja Lonac




FK Partizan x FK Vojvodina

Spartak x FK Vojvodina


11 de maio de 2012

Ação Integralista Brasileira (AIB)


O período de 1932 a 1938 foi que se deu a ação da AIB, que correspondeu justamente ao governo de Getúlio Vargas. O contexto político era de crise das oligarquias da República Velha (1889-1930), onde o ambiente foi propício ao surgimento de projetos radicais e mobilizantes que tentaram galvanizar a sociedade com a idéia de mudança, assim como ocorreu na Europa. As principais propostas foram a Aliança Nacional Libertadora (ANL), que surgiu inspiradas nas Frentes Populares da Europa, que lutavam contra os grupos fascistas e tinham como membros comunistas, socialistas sem partido, democratas radicais e tenentes de esquerda e, a Ação Integralista Brasileira. Ambos eram críticos dos preceitos liberais da República Velha.

A AIB foi fundada em 7 de outubro de 1932 e existiu legalmente até dezembro de 1938. Surgiu de pequenos grupos e partidos de extrema direita, como: Ação Social Brasileira (Partido Nacional Fascista); Legião Cearense do Trabalho, de 1931, dirigida por Severino Sombra; Partido Nacional Sindicalista, de Minas Gerais, fundado por Olbiano de Melo; e o monarquista Ação Imperial Pátrio-novista. Reuniram-se sob a direção de Plínio Salgado e San Tiago Dantas, do jornal A Razão, fundado em 1931, tendo como lema principal "Deus, Pátria e Família", o que revela as ligações com a Igreja Católica.


Em sua ideologia, organização e ação política, o integralismo pertence aos movimentos e partidos fascistas, que surgiram na Europa entre o fim da Primeira Guerra Mundial e a Segunda. Embora assim como os outros fascismos, tenha se diferenciado em alguns pontos do fascismo italiano. Seus principais líderes foram Plínio Salgado, Miguel Reale e Gustavo Barroso.

A IDEOLOGIA POLÍTICA DA AIB

Os líderes Plínio Salgado, Gustavo Barroso e Miguel Reale foram os intelectuais que nortearam a AIB quanto aos seus princípios. Ambos tiveram divergências teóricas quanto a alguns pontos, mas foram a partir deles que se formou uma base ideológica comum.

Plínio Salgado (1895-1975) nasceu em São Bento de Sapucaí (SP), esteve na Semana de Arte Moderna de 1922, mas com participação discreta. Escreveu O estrangeiro em 1926 e se tornou membro dos grupos Verde Amarelo e Anta. Foi político, escritor e jornalista. Elegeu-se deputado estadual pelo Partido Republicano Paulista em 1928 e escrevia para o Correio Paulistano.


Miguel Reale, nasceu em 1910 em São Bento de Sapucaí (SP), formou-se em direito pela Faculdade do Largo São Francisco e ocupou os cargos de secretário nacional de doutrina e membro do Conselho Supremo da AIB. Era diretor da revista Panorama, da AIB e foi um dos mais ilustres intelectuais do Direito, o qual escreveu livros também de filosofia. Seus livros, em geral apresentam cunho integralista, antiliberal e anticomunista, girando em torno do tema do Estado.

Gustavo Barroso (1888-1959) nasceu em Fortaleza (CE). Atuava como jornalista, advogado e político, escreveu por volta de 70 livros, entre eles ficção, poesia, teatro, museologia, história regional, do Brasil e história militar. Eleito deputado federal pelo Ceará em 1915, foi representante na Conferência de Paz de Versalhes em 1919. Presidente da Academia Brasileira de Letras. Seu foco ideológico na AIB era o antisemitismo.

O fascismo, de modo geral, apresenta características como: controle exclusivo do exercício da representação política mediante a atuação de um partido único de massa, caracterizado por forte estrutura hierárquica; ideologia centrada no culto à liderança política; exacerbação dos valores da nacionalidade; recusa dos princípios que norteiam o liberalismo individual; oposição radical aos valores do socialismo e do comunismo; exaltação da colaboração de classes e crença no ideal corporativo; atribuição de um papel central ao aparato estatal no plano econômico, social e político; domínio absoluto do Estado sobre as informações e, especialmente, os meios de comunicação de massa; eliminação de qualquer forma de pluralismo político, com o aniquilamento das oposições, embasado na violência e no terror.

Assim como surgiram partidos fascistas ou fascismos na Inglaterra, Bélgica, Portugal, Espanha, México, Chile e Bolívia - todos com suas particularidades -, no Brasil surgiu a AIB, que idealizou todo um projeto para o país.

Entre as características do integralismo, pode-se destacar: movimento de massas de corte nacionalista, antiliberal e anticomunista; o modernismo e o nacionalismo formam os pontos de apoio e sustentação da AIB.

As pequenas divergências entre Salgado, Barroso e Reale colaboraram para uma maior adesão da população à AIB.

Os integralistas apoiaram o governo Vargas no combate ao liberalismo e ao comunismo.

A ideologia integralista deve ser encarada como um voluntarismo totalitário, em que seus integrantes consideram ter a explicação do passado, do presente e do futuro, apresentando idéias que supostamente traz ordem à toda anomalia que a democracia carrega consigo.

Assim como outros movimentos fascistas, os símbolos e as imagens tinham muita relevância. A denominação Ação Integralista Brasileira tinha por objetivo desassociar a idéia de "partido" que é nada mais que o defensor de interesses particulares, assim como o nome e o sistema político democrático e liberal indicam. Por isso o integralismo negava a idéia de representação política, apoiando a mobilização total e submissa da massa ao representante da nação, no caso, ao chefe.

A palavra "Brasileira" da sigla AIB, indica a defesa de interesses nacionais contra os regionais, das oligarquias e contra os internacionais, dos comunistas (ex: PCB).

O termo "Ação" valorizava o culto da mobilização, da força, inclusive da violência, acabando deste modo com o intervalo entre reflexão e prática, tornando-se em um voluntarismo messiânico. Os principais jornais do movimento chamavam-se A Ofensiva e Ação.

"Integralismo" surge de integral, significando totalidade, que se opõe a regionalismos em prol de uma sociedade totalitária. O símbolo do integralismo é a letra grega sigma, de soma, somatória, integração de todas as diferenças, está acima. A saudação era o braço direito esticado e levantado e o grito de "Anauê" (saudação e grito de guerra, na língua tupi, significava "eis-me aqui"). Os membros se vestiam com uniformes militares verdes.


O integralismo sempre promovia a idéia de mobilização, e para isso realizava desfiles minuciosamente coreografados, comícios disciplinados, criavam-se símbolos, palavras de ordem, bandeiras, canções, discursos dramatizados, estandartes, uniformes, insígnias e rituais, que incitavam à ação violenta.

A AIB se apresentava na década de 30 como uma alternativa moderna, um modelo de sucesso, que tinha em Gustavo Barroso, o ideal da luta contra a industrialização e uma defesa da suposta vocação agrária do país. Esse modo de fazer política com hierarquia, marchas e estandartes, se distinguia dos partidos da época da República Velha.

Para Salgado, o indivíduo deve estar sempre subordinado e mobilizado para atender os interesses do Estado. Os indivíduos são avaliados de acordo com a sua capacidade para a luta e para a construção do Estado integralista. Com Barroso, a organização política, de civilização, cultural, de "cooperação entre as raças" não incluía os judeus, que para ele, seriam os responsáveis pela dependência financeira internacional a que o Brasil estava subjugado. O Estado liberal e democrático, de acordo com sua visão, era fraco, desagregador e não defendia os genuínos interesses nacionais, culturais e econômicos. Deste modo, havendo uma "colônia de banqueiros" no país.

A construção deste Estado nacional "puro", começaria buscando-se as origens. Está indiscutivelmente associada ao modernismo, o integralismo, e recebeu forte influência de Euclides da Cunha. Como o romantismo foi uma busca de "brasilidade", a construção do Estado integralista - como os integrantes da AIB achavam que deveria ser - teria a busca deste Brasil "genuíno" no interior do país, no sertão, não no litoral onde existia a influência estrangeira do colonizador.

O conflito social não fazia parte do ideal fascista, pois ele é sinal de sociedade conturbada - caos enxergado por eles nas democracias - e deveria ser eliminado. Desordem é expressão de desagregação, de divisão, por isso deveria ser extirpada com um sistema corporativo rígido, hierarquizado e harmônico. No topo desta sociedade estaria um chefe único, mandante supremo ao qual os súditos deveriam se subjugar. Lealdade é a força motriz desse Estado. Os outros níveis "burocráticos" desse Estado, com seus vários cargos, são criados devido as diferenças "naturais" entre os homens. Plínio Salgado interpreta que os indivíduos devam estar sempre mobilizados para atender os objetivos da revolução.

O integralismo zela para que a cada momento não haja na estrutura social, conflitos, divergências. Por isso "caça" os inimigos da nação, devendo ser identificados e combatidos, em último caso, eliminados. E para eles os inimigos são: o comunismo, a democracia, o liberalismo, o capitalismo internacional, o judaísmo e a maçonaria.

O anti-semitismo assumiu importância central somente com Barroso. Miguel e Plínio não evidenciavam com tanta necessidade este ponto, seus focos estavam no modelo de sociedade a ser construído. Barroso possuía um antisemitismo influenciado pelo catolicismo da extrema direita francesa do séc. XIX e responsabilizava o judaísmo pela ruptura com o idealizado mundo medieval. Para Barroso, a história tem sido controlada por um complô judaico, onde os judeus manipulam os acontecimentos mundiais.

QUEM INTEGRAVA A AIB?

Seus criadores eram praticamente quase todos vindos das classes médias urbanas. Seus principais membros ingressaram pela necessidade de representação política, porque á época, o sistema político da República Velha só beneficiava o eixo São Paulo-Minas Gerais, ou seja, os cafeicultores latifundiários dessa região, enquanto os outros que trabalhavam com outros setores econômicos, não tinham respaldo em situações de inflação, de crise econômica. Os principais membros da AIB eram funcionários públicos (em sua maioria!), profissionais liberais, jornalistas, advogados, médicos, professores, padres, pequenos agricultores, funcionários do comércio, militares, setores não representados pelos partidos políticos existentes até então. O jornal Ação abordou assuntos trabalhistas em suas colunas, porém o partido nunca recebeu significativa adesão operária. A AIB possuía maior aceitação na população até 30 anos. A militância aguerrida dos camisas-verdes nutria simpatias em segmentos das elites políticas e militares. Por seu caráter mobilizante e sua estrutura organizacional à semelhança da corporação militar, possuiu grande ascendência, especialmente na Marinha.

As mulheres representavam 20% dos militantes em 1936 e tinham como lema no Congresso Nacional Feminino (Rio de Janeiro, 1936) e na Convenção Trabalhista (São Paulo, 1937), "Crer, obedecer e preservar". Tinham como funções na AIB: dedicar-se às suas famílias e lares, procriar e educar as crianças para serem cristãs e patrióticas, proteger os lares contra o comunismo e cultivar valores "femininos" como obediência, amor, sacrifício, pureza e espiritualidade, apoiando os maridos na luta a favor da ideologia integralista. Em 1934 fundaram a Ação Feminina Integralista no Maranhão e era formado por 18% dos membros do partido. Elas eram politicamente ativas nas manifestações da AIB.

A especificidade brasileira no caso do Maranhão, se comparado ao fascismo europeu do entre-guerras é que não se limitavam a regiões de muita expressão do movimento operário, foram buscar apoio em um Maranhão pouco industrializado e urbanizado. Obtiveram apoio no Maranhão por causa de seu discurso anticomunista, nacionalista e católico, o que incorreu em apoio de setores da Igreja. Mas principalmente por apresentar uma antioligarquia que poderia combater os coronéis locais.

Mesmo com discurso contra a oligarquia, não procurou incitar esse discurso, buscando alianças nos mais diversos setores da sociedade; à princípio. No ano de 1936 a AIB apoiou a candidatura de um governador ligado a Vargas, selando o acordo de participação na administração pública.

Um ponto de discordância, seria os motivos que levaram a adesão à AIB, por parte dos imigrantes alemães do Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Se foram influenciados pela ascenção de Hitler ao poder na Alemanha ou não. Dentre as divergências, a teoria mais plausível é a criada por Gertz, desmistificando a idéia de que a população de origem alemã não teria se "integrado" ao Brasil, mantendo a sua identidade cultural e política vinculada à Alemanha. Gertz procura desvincular essa idéia de associação errônea à questão étnica, para isso, procurou uma outra variável de análise, análise esta que levou em conta a estratificação social e a inserção econômica. Com isso, buscou as relações entre imigração, nazismo, germanismo (entendido como o esforço de preservação de valores e da cultura alemã e defesa dos interesses imigrantes) e o integralismo. Gertz mostra que dados eleitorais de 1935, revelam que a votação da AIB em municípios de colonização foram relativas. Em Novo Hamburgo (segunda maior densidade demográfica depois de Porto Alegre e terceiro no percentual de população urbana), Gertz sugere uma relação maior entre integralismo e urbanização/industrialização maior do que a questão étnica, enquanto que em pequenos municípios, o voto recebido pela AIB era menor - não necessariamente se comparado a outros partidos -, mesmo em núcleos de imigrantes onde a preservação da cultura alemã era maior. Outro ponto a ser considerado, segundo Gertz, é que os germanistas defendiam o ensino do alemão nas escolas de descendentes de imigrantes, enquanto que os integralistas defendiam o ensino obrigatório apenas do português. Gertz conclui que mobilidade social, grau de instrução e nível de informação têm um papel mais importante que a questão étnica, de forma que esta questão não pode ser a única variável a ser considerada como determinante e isolada, onde os focos de análise podem serem mais completos.

Os rituais de "passagem" dos novos membros na AIB desde sua infância começava aos 4 anos de idade, em grupos de 4 a 6 (infantes), depois 6 a 9 (curupiras), 10 a 12 (vanguardeiros) e 13 a 15 (pioneiros). Existiam rituais de obediência ao chefe a partir dos 6 anos de idade. Se comparado a uma criança espartana que ingressava no Exército aos 7 anos, ser preparada na AIB à partir dos 4...! A estrutura de organização era um pré-Estado, um modelo do Estado integral a construir.

A AIB chegou a reunir entre 500 mil a 800 aderentes, para uma população nacional de 41,5 milhões de habitantes em 1935.

A TRAJETÓRIA POLÍTICA

A primeira ação de relevância no cenário político foi em 1933, com uma marcha em São Paulo que reuniu 40 mil adeptos do movimento. Em 1934, Miguel Reale se candidata pela AIB à Assembléia Constituinte. No mesmo ano foram organizadas as "Bandeiras Integralistas" para o Nordeste e Sul do país, por Plínio Salgado, Gustavo Barroso e Miguel Reale, com a intenção de difundir as idéias do movimento, em que associada a concepção de "bandeiras", surgiam slogans como "a marcha para oeste", aliada a uma "interiorização do projeto integralista".

Ainda em 1934, a AIB organizou seu 1º Congresso Nacional, em Vitória, em que estabeleceram sua estrutura organizacional e seus estatutos, também elegendo Plínio Salgado como chefe supremo e perpétuo. Gustavo Barroso ficou como chefe das milícias integralistas. O movimento se difundiu entre os estados de Minas Gerais, Bahia, Maranhão, Ceará, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Pernambuco.

Para celebrar o segundo ano de existência da AIB, houve uma briga entre integralistas e militantes do PCB na cidade de São Paulo, que resultou em seis mortos. A AIB cresceu em 1935 após a revolta comunista e se colocou à disposição do governo federal para combater as insurreições comunistas em Natal, Recife e Rio de Janeiro.

Em 1936, no 2º Congresso Nacional, em Petrópolis (RJ), a AIB se tornou um partido político para concorrer às eleições presidenciais em 1938, a qual era prevista. Muda sua estrutura organizacional: cria a Câmara dos Quarenta, um conselho consultivo de notáveis, o Conselho Supremo, com dez membros e a Corte do Sigma, a instância de poder mais importante logo abaixo do chefe nacional. Este ponto do estatuto transforma a AIB em uma estrutura pré-estatal: o Conselho Supremo seria um gabinete restrito em que os ministros seriam os secretários nacionais, a Câmara dos Quarenta atuaria como um senado e a Câmara dos Quatrocentos, formada em 1937 com representantes de vários estados, seria a Câmara Corporativa e a Corte do Sigma a instância suprema, todos regidos por partido único e rígida obediência ao chefe supremo.

Por conta da radicalização política, vários governos estaduais como Bahia, Santa Catarina, Espírito Santo, Alagoas e Paraná, fecharam sedes do movimento.

Em agosto de 1937 um confronto acarretou 13 mortos em Campos (RJ), durante uma marcha integralista.

Na política local, a AIB atuou no executivo e no legislativo de diversas cidades e estados entre 1933 e 1937. Em 1935, elegeu um deputado federal e quatro deputados estaduais. Naquele ano havia 1123 núcleos organizados em 548 municípios e 400 mil ativistas. Nas eleições de 1936, elegeu cerca de 500 vereadores, 20 prefeitos e 4 deputados estaduais, obtendo cerca de 250 mil votos. Nas eleições de 1938, para eleger o candidato do partido às eleições presidenciais, participaram quase 850 mil integralistas, cerca de 500 mil eleitores habilitados, sendo que o eleitorado do país era de cerca de três milhões de votantes. Mesmo que os números sejam imprecisos, eles sugerem a dimensão do movimento e a extensão de sua militância.

Em seguida ao golpe do Estado Novo, a AIB tornou-se uma sociedade cultural. Participou de uma forma discreta deste golpe e em 15 de novembro de 1937, declararam publicamente apoio a Vargas. A insistência em atuar como partido independente influenciou Vargas a proibir sociedades de terem o mesmo nome de partidos existentes. Em janeiro de 1938, Salgado registra o partido como Associação Brasileira de Cultura.

Em 11 de maio de 1938, enquanto Salgado negociava um cargo no ministério com Vargas, aconteceu um golpe contra o Palácio Guanabara realizado por Belmiro Valverde, Olbiano de Melo e Gustavo Barroso, com o apoio de oposicionistas a Vargas como o Euclides Figueiredo, Otávio Mangabeira e José Antônio Flores da Cunha. Resultado: prisão de dezenas de militantes. Salgado foi preso várias vezes até se exilar em Portugal. Barrosos permaneceu no Brasil e, em 1941, renegociou com Vargas um cargo ministerial.

7 de maio de 2012

Hipocrisia Inconsciente OU Consciente? Eis a questão!


Verdade seja dita, a hipocrisia é foda e custa caro: geralmente a vida de uma outra pessoa, se não a vida, mas a liberdade desta pessoa fica privada. E cada vez mais perdemos mais e mais nossa liberdade que nos foi tão onerosa de se conseguir, e por causa de uma estupidez humana.

E esses tipos de absurdos não param só por aí, mas se declarar orgulhoso de ser gaúcho, paulista, capixaba, curitibanocearense, carioca, é cada vez mais tratado como um crime, um crime contra a baixo-estima dos outros, contra o complexo de inferioridade dos outros. Por isso deve ser proibitivo, punitivo, anti-ético ou qual nome mais puder ser designado. Não passa de uma castração moral.

Não estou aqui com isso defendendo fundamentalismos, mas ser favorável a um tradicionalismo que valorize suas raízes, sua cultura, é bom. Saudável é um regionalismo não xenofobista. Todo regionalismo no fundo contribui para a preservação do nosso patrimônio histórico. Coisa que nem o IPHAN anda fazendo, querendo passar a VLT por cima do plano piloto e destruir com o que é nosso, com toda uma memória coletiva de uma época marcada por lutas, conquistas, vitórias e também derrotas...

29 de abril de 2012

Caráter Superficial da Observação Psicológica


Parece tão "bonitinho", tão "fofinho" quando se vê o vídeo. Só que a realidade é outra! Toda pessoa que conhece um pouco de psicologia e seus testes, sabe que nenhum teste é isento de influência externa, que nenhum teste é 100% puro ou 0% condicionado pela reação que é esperada de nós. Nenhum teste chega a reproduzir em 100% as condições naturais da vida como se aqueles ao qual participam do teste fossem pessoas na rua que não sabem que se aqueles ao qual participam do teste fossem pessoas na rua que não sabem que estão sendo olhadas. Não falei nem testadas, mas olhadas! Esses testes são tão deturpados de uma maneira tal que pretende fazer-nos crer em sua verdade! Em geral na história bela, fantasiosa, de contos de fada e utópica. No caso acima, o vídeo quer passar a imagem de que as crianças dividiram por vontade própria, no caso todas as 20 crianças que participaram do teste sem saber do que se tratava. Porém, a reação delas está condicionada pelas pessoas que entram na sala e dão instruções, exatamente pela influência delas que saem das salas - para numa tentativa vã e ingênua de não condicionar a reação dos testados e de tentar reproduzir 100% uma condição ambiente - que as crianças dividem a comida. A reação não mais se torna natural, mas sim influênciada pelo meio externo, mesmo que não tendo sido dito para dividir a comida.

Quem nunca viu vídeos na internet de crianças egoístas que não dividem os brinquedos? Quem nunca teve um irmão, um sobrinho ou um irmãozinho de um amigo seu que não dividia os brinquedos com seus colegas? Parem de serem tão idealistas e comecem a enxergar a realidade. Existem as crianças egoístas tanto quanto existem as não-egoístas!

Maldito mundo moderno em que virou "modinha" ser ambientalista, defensor dos direitos dos animais (a qualquer custo), socialista contra um capitalismo "brutal", "avassalador", "injusto", "cruel" e "desumano", e essas babaquices todas, que em sua maioria são ideias retrógradas! Vivemos de um passado e não avançamos para algo novo que ultrapasse tanto isso quanto o seu contrário.

26 de abril de 2012

Dia Nacional do Historiador

Em dezembro de 2009, os historiadores passaram a ter o seu próprio dia: a data será sempre no dia 19 de agosto, em homenagem a Joaquim Nabuco, diplomata, político e historiador, que nasceu em 19/08/1849. Nabuco também foi um grande opositor da escravidão e um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras (ABL).

"LEI Nº 12.130, DE 17 DE DEZEMBRO DE 2009
 
Institui o Dia Nacional do Historiador, a ser celebrado anualmente no dia 19 de agosto.

O VICE-PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no exercício do cargo de PRESIDENTE DA REPÚBLICA

Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

Art. 1 É instituído o Dia Nacional do Historiador, a ser celebrado anualmente no dia 19 de agosto.

Art. 2 Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Brasília, 17 de dezembro de 2009; 188º da Independência e 121º da República.

JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA
João Luiz Silva Ferreira"

25 de abril de 2012

HNK Hajduk Split


Para começar essa nova era desse blog com um novo nome e novo propósito, porque não começar falando sobre a influência do futebol na política? Falaremos hoje sobre um clube desconhecido para a maioria, mas que para os amantes do futebol internacional é um velho conhecido. Trata-se do clube HNK Hajduk Split.

O HNK Hajduk Split é um time de futebol da cidade de Split, no centro da Croácia. O HNK Hajduk Split é um dos dois clubes mais populares de toda a Croácia. O Hadjuk Split é conhecido pelos seus fãs como "Bilis" (Os Brancos) e "Majstori's mora" (Mestres do Mar). Foi um dos mais importantes times da antiga República Iugoslávia, tendo ganho 9 títulos da YFL (Yugoslav First League), torneio mais tradicional daquele país, que ocorreu de 1923 a 1992. A antiga República Socialista Federativa da Iugoslávia (1963), derivada do antigo Reino da Iugoslávia, englobava países como: Sérvia, Kosovo, Croácia, Montenegro, Macedônia, Bósnia e Herzegovina, Eslovênia. O processo de desintegração da união ocorreu a partir de 1991, que sofreu interferências na sua política por parte dos países ocidentais, nas questões que envolveram as guerras naquela região.

O Hajduk Split foi fundado no U Fleku, por um grupo de estudantes na cidade de Split (Croácia): Fabijan Kaliterna, Lucijan Stella, Ivan Sakic and Vjekoslav Ivanisevic, que tiveram a idéia da criação de um time de futebol, após presenciarem uma partida entre o AC Sparta e o SK Slava. O local de fundação foi um pub localizado na cidade de Praga, na atual República Tcheca. O U Fleku foi criado em 1499, um boteco de gala com mais de 500 anos de idade. A fundação foi registrada junto às autoridades no dia 13 de fevereiro de 1911. O nome "Hajduk", vem dos "haiduques", termo muito comum para se referir aos bandidos, foras-da-lei, bandoleiros, e gente que luta pela liberdade, na região do Leste Europeu. Veio especialmente quando da romantização do termo, na luta daqueles povos contra os otomanos. Na sequência, os fundadores já criaram um símbolo para o clube, que já estava sendo distribuído por um grupo de católicos de um monastério.

O Hajduk Split ganhou a admiração e se transformou num clube "Pró-Croácia" por moradores da cidade de Split, inclusive sendo chamado de "O Clube Croata", e por ter a bandeira daquele país em sua marca. E aqui vemos a primeira atuação do Hajduk Split no campo político: Ainda nos anos 10, o clube era contra o governo Austro-Húngaro, que não permitia a unificação das províncias croatas, mantendo-as separadas (O Governo Austro-Húngaro não permitia a união da Dalmácia à Croácia. Partes deste território são da atual Bósnia Herzegovina). Tais ideologias contribuíram para o acirramento das rivalidades na região que compunha o então Reino da Iugoslávia. O primeiro adversário do Hajduk Split foi o Calcio Spalato, cuja partida terminou com um placar de 9x0 ao Hajduk. Mas foi apenas no final dos anos 20 que o clube iria viver seu primeiro período de glórias, ao ganhar duas edições da Yugoslav First League (YFL) em 1927 e 1929. Passados alguns anos, com o advento da Segunda Guerra Mundial, a Iugoslávia foi invadida e conquistada pelos Aliados, e a cidade de Split havia sido indexada, temporariamente, à Itália. Os moradores, assim como os jogadores do Hajduk, foram contrários à essa assimilação, e o clube não aceitou competir pela primeira divisão do Calcio (Futebol), na Itália.

Após a capitulação da Itália em 1943, os Partisans (do Exército Popular Iugoslavo) liberaram a cidade de Split e desarmaram a guarnição italiana, mas os alemães reocuparam a cidade, concedendo-na ao governo ao governo fascista do Estado Independente da Croácia (NDH), que havia se instalado na capital Zagreb (Croácia) em 1941.

A atitude do clube não se alterou, quando as autoridades do NDH tentaram incluir o Hajduk Split na Copa do Estado Independente da Croácia. O NDH ganhou ressentimento em Split, por se alinhar e se aliar à Itália. Com os Aliados, que ocupavam o sul da Itália, e controlavam o Mediterrâneo, as ilhas do Adriático se tornaram um refúgio para os militares da resistência.

Em julho de 1944, um ataque aéreo das Tropas SS (Alemanha), com ofensivas de apoio, foi lançado com o objetivo principal de capturar ou matar o líder dos Partisans: O comandante-chefe marechal Josip Broz Tito, que depois mudou o quartel-general da resistência Partisan para a Ilha Vis, no mar Adriático. Observando o desafio da equipe do Hajduk Split frente às potências do Eixo, como resistente em se manter soberana como Croata, Tito convidou pessoalmente os integrantes do clube para se juntar à sede partidária na Ilha Vis, onde o Hajduk Split jogou como time de futebol oficial da resistência iugoslava. Eles competiram com equipes do Serviço Aliado de Futebol de todo o Adriático, e na Itália; onde "Os Brancos" derrotaram os Britânicos em um amistoso. Naquele momento, a liderança do clube adotou a Estrela Vermelha como distintivo oficial do clube, num homenagem à bandeira do Exército Popular Igoslavo (dos Partisans), sobre o manto branco e azul. Durante 1945, o Hajduk embarcou em um torneio especial, atravessando países do oriente árabe, tais quais o Egito, a Palestina, o Líbano, a Síria e Malta.

Graças à sua competência e ao seu "espírito único da Dalmácia", o clube teria impressionado Tito, que frequentava muito os jogos do Hajduk. Após a guerra, ele convidou o clube Hajduk Split para ir até à capital Belgrado, na então Iugoslávia, para se tornar a equipe oficial do Exército Popular da Iugoslávia (JNA). Os jogadores se recusaram, pois queriam continuar atuando em sua cidade natal, Split. O clube, porém, continuou a gozar de uma boa reputação: Eram "Os Favoritos Tito", mesmo após a guerra. A relação de amizade com a Resistência Iugoslava acabou beneficiando o Hajduk Split de vários modos. Entre outras coisas, foi um dos poucos clubes de futebol Iugoslavo que não teve fim precoce, nem desmontes, após a guerra, pelo Governo Comunista. (Como foi o caso de diversos outros clubes, especialmente os mais proeminentes, tais quais o BSK, Gradansk, Iugoslávia, Concordia, HASK, Slavija, etc).

Após a 2ª GM, o Hajduk continuou a jogar o Campeonato Iugoslavo e a Copa Iugoslava. Em 1946, eles ganharam o campeonato croata, e em 1948-1949, o Hajduk Split visitou a Austrália, tornando-se então a primeira equipe da Iugoslávia a ter pisado em todos os continentes. O clube ganhou o Campeonato Iugoslavo de 1950 sem uma única derrota, estabelecendo um recorde que ninguém ainda havia conquistado. Neste mesmo ano, antes da partida decisiva contra o Estrela Vermelha de Belgrado (2x1), a famosa Torcida Split foi fundada. Uma torcida organizada de adeptos do Hajduk Split; algo que era constante desde 1927, já com as primeiras caravanas destes torcedores, e que finalmente havia sido oficializada, como grupo, em 1950. O nome Torcida? É uma homenagem dos Croatas ao Brasil! Foi o nome que escolheram para definir o jeito de torcer, adaptando do nosso português brasileiro a palavra "Torcida". A "Torcida Split" foi o primeiro grupo organizado em toda a Europa, e surgiu muito antes das nossas próprias Torcidas Organizadas! Já em idos de 1951, o estádio "Stari Plac" foi reconstruído. Ao longo dos anos 50, o Hajduk Split mostrou absoluta superioridade em relação às demais equipes, mas as manipulações políticas (que já ocorriam nos torneios) o impediam de ganhar estes campeonatos.

De 1970 a 1980, o Hajduk Split vivenciou seus melhores anos na Iugoslávia. Era a chamada Geração de Ouro, que ganhou 5 copas consecutivas, e 3 Campeonatos da Iugoslávia, no período correspondente de 1972 a 1979. Foi o terceiro clube mais bem sucedido na Iugoslávia superando de longe os demais, incluindo o NK Dinamo. Em 1979, o Hajduk mudou-se para o Estádio Poljud, onde atua até os dias de hoje. Na década de 1980, o clube teve maior sucesso fora de casa, vencendo times como o Valencia CF, Bordeaux FC, FC Metz, VFB Stuttgart, FC Torino, Olympique de Marseille e Manchester United.

Em 08 de maio de 1991, o Hajduk venceu a Copa Iugoslava, derrotando o ex-campeão europeu, Estrela Vermelha de Belgrado, pelo placar de 1x0, gol marcado por Alen Boksic. Foi durante este tempo que a Croácia declarou independência da Iugoslávia, e o Hajduk Split finalmente foi capaz de restaurar o emblema tradicional na camisa, com a bandeira croata, removendo então a consagrada estrela vermelha do peito.

Em 13 de fevereiro de 1911, o Hajduk Split completou 100 anos de existência. Abaixo assista ao vídeo de como foi organizada a festa pelos torcedores e diretoria do clube:


Por estas e outras histórias, fica mais do que provado que futebol não é só "oba oba" como a maioria está acostumada a pensar e a pregar por aí à torta e a direita. Mas que dá saudades dá dos velhos tempos em que futebol não era só comércio e os jogadores honravam a camisa e se união em torno de uma causa.

29 de janeiro de 2011

Sonho/Loucura

Relatividade (1953-1962), M.C. Escher

Muito até agora já se foi escrito sobre os sonhos, e até o momento não há um mapeamento definitivo do que seriam as imagens produzidas em nossa cabeça enquanto dormimos. Para falar desse assunto, não posso abordar da mesma maneira como se tem feito nos vários estudos de psicologia, mas se tratando de um modo filosófico, posso relatar fatos e acontecimentos que serão um convite a reflexão a todos os que lerem o que escrevo agora.

Para adentrar no assunto nada melhor que o a imagem acima que upei de meu computador, o meu artista gráfico favorito, Maurits Cornelis Escher. Pensei em ser clichê e colocar um dos quadros mais famosos de Dalí, A Tentação de Santo Antônio, porque ele foi um dos representantes do surrealismo e como o movimento tinha como função expressar o inconsciente e os sonhos através de pinturas ilógicas influenciada pela psicanálise de Freud à época, nada melhor do que seria por a imagem do quadro de Dalí, mas tão bom quanto foi minha idéia de colocar esta imagem de Escher, que representa a Relatividade. Como traçar a linha tênue entre a realidade e a não-realidade (ilusão, imaginação, sonho, como queiram)? Essa linha é frágil e pouco perceptível aos nossos sentidos, não sabemos até onde vai e quando começou. Apresenta a relatividade onde pisamos no campo do real e do irreal.

Vasculhando pela net sem ter o que fazer, por um simples incidente me deparo com um blog de um desconhecido, que adora fazer mistério sobre quem ele é para ver a reação das pessoas. Este homem, nascido nos anos 80 diz em seu blog sofrer de coisas com as quais nunca definiu bem o que era para os seus leitores, no fundo a minha hipótese é de que se trata de um homem que usa de uma história, seja ela inventada ou não, para analisar o comportamento humano, e por mais bizarro que pareça, você vê de atos de compaixão irrefletida à atos de preconceito explícito, pois apresenta comentários excluídos pelo próprio autor do blog e respostas melodramáticas as ofensas. Mas tirando este aspecto particular da vida de um homem que diz ser estranho frente a sociedade, creio que fisicamente também - pois quando fala de si usa um tom meio negativo -, ele apresenta reflexões lúcidas para uma pessoa que diz ter tantos problemas. Alguns destes textos são bons, mas já tinha opinião a este respeito; outros, irrisórios; e, por último, um somente que vale a pena compartilhar com quem ler o que escrevo agora. Em baixo, reproduzo em primeiro lugar a postagem desse cara que se apresenta como Leonardo Levi, com o título Sonhos Acordados e logo em seguida minha interpretação sobre o texto dele, que inclusive fiz questão de comentar em seu blog, onde apresento minha interpretação com alguns cortes, adaptados a quem está lendo o que eu direi aqui e não o que disse lá, mas não pude evitar e nem tive como cortar devidas partes para ficar similar às minhas reflexões que geralmente apresento aqui, que são sem ser por intermédio de terceiros (terceiros: usando textos que outros escreveram sobre determinado assunto para usá-los aqui e contrapô-los). De antemão digo que meus cortes teve como intenção não eliminar o sentido do que havia escrito lá.

Sonhos Acordados

Eu vou contar mais uma coisa sobre mim. Sou absurdamente distraído. Perco todos os meus guarda-chuvas. Esqueço nomes de pessoas, caminhos para os lugares. Perco-me nas direções. Tenho dificuldades para saber qual é a minha direita e qual é a minha esquerda.
E o motivo de tudo isso, eu já sei. Eu fico o tempo inteiro pensando. Qualquer coisa, besteiras mil. Mas na maioria das vezes são histórias. Já escrevi em minha mente umas mil versões da história sobre o que eu faria se ganhasse na loteria. Fico inventando filmes em minha mente. Vídeo-clipes. Invento músicas, imagino que estou tocando determinada música, uma hora eu canto, em outra toco bateria e ainda tenho tempo de sair correndo e pegar na minha guitarra para fazer o solo.
Faço planos enormes, para os próximos 30 anos. Já me imaginei perfeito, governador, presidente, embaixador, presidente geral da ONU... Já imaginei como seria meu programa de televisão. Já idealizei um canal de televisão, uma gravadora na qual só entrariam as bandas que eu gostasse. Imaginei que eu tinha um harém. Imaginei cada uma das 20 mulheres que eu teria. Imaginei detalhes arquitetônicos da minha mansão. Já inventei um bar, um clube, uma escola. Uma reforma educacional para o país. Outra política. E todas faziam um enorme sentido, apesar de saber que nunca dariam certo.
E de tanto imaginar essas mil coisas, na maior parte do tempo eu não estou presente na realidade. Mas isso sempre foi assim, e isso nunca foi um problema tão grande... E claro que já sofri um acidente por que estava desligado enquanto dirigia e já me atrasei por errar os caminhos centenas de vezes... Mas nada disso chega perto das coisas que tem acontecido ultimamente, desde que comecei a ler aquele maldito livro. E o pior é que as coisas pioraram ainda mais desde que comecei a escrever neste maldito blog.
E o pior é que não consigo parar. E a minha própria imaginação está ficando cada vez mais real. Tão real, que às vezes eu prefiro não sair de lá, e ficar imerso em meu mundo, que eu construí para mim mesmo, com todos os meus sonhos. Com todas as coisas no lugar, pessoas fazendo exatamente o que eu quero.
Mas aí eu acordo e percebo que tudo é diferente. Eis o presente mais irônico já dado pelos deuses. Tua consciência. Com ela és capaz de brincar de ser Deus. Pode criar um universo inteiro, do jeito como bem entender. Mas jamais poderá esperar que as coisas do mundo concreto obedeçam a seus anseios, por que, na maioria das vezes não obedecem. As vezes o que elas fazem é contrariar totalmente. Parece até que é de propósito.
E é quando você fica puto com o autor invisível que escreve a história da tua vida. Por que você não queria que fosse assim. Você consegue sempre imaginar um final melhor para a história que ele está inventando, pelo menos quando é você mesmo o personagem. Mas aí você se pergunta... Se os personagens escrevessem a própria história, teria alguma graça?

Até então quem lê acha que é uma história normal, comum como as outras... um doido que vive fora da realidade. Mas antes de você ler a minha opinião sobre o que o suposto Leonardo Levi (desconfio que o nome dele não seja este, pois no blog a foto é de outro, um cara famoso) quis ao escrever esta história, leia ela denovo quantas vezes for necessário se precisar, libere a sua mente, sua criatividade reprimida para buscar atrás do que tem de superficial em um texto aparentemente simples. Não busque raciocinar em cima do desejo dele das coisas serem como ele quer e não acontece porque ele não controla a vida dos outros, busque algo além. No próximo parágrafo virá minha interpretação do texto.

Antes de expressar meu comentário que fiz, vou relatar a minha experiência com os sonhos que tive, e que complementará a minha reflexão, já que a do L. L. está compartilhada acima, uma dentre algumas que ele tem. E como disse no início, é uma experiência quase empírica, mas filosófica.

Até hoje, posso dizer que eu tenho controle consciente dos meus sonhos, chego ao cúmulo de decidir por vontade própria o que farei, e não assistir somente ao sonho como um espectador sabendo que estou sonhando. Comparado com antigamente, no meu sonho eu não sabia que estava sonhando. O que eu chego a fazer de "anormal", ou melhor dizendo, sabia fazer, era ter consciência de que eu dormia e com isso CONSEGUIA acordar do sonho antes da hora, quase na hora que eu quisesse, pois na maioria das vezes antes de eu conseguir fazer isso, eu tentava mas não conseguia acordar, continuava constantemente apavorado pelo pânico do pesadelo, até o susto ser grande demais e finalmente acordar. Mas o único modo que possibilitava eu fugir do sonho, acordar, era mentalizar no próprio sonho uma régua no chão, que geralmente tinha 15cm, não sei porque este tamanho, mas só acordava por este meio, e às vezes demorava 1min ou 1min e meio para conseguir mentalizar a régua forçosamente. Pra qualquer um é complicado mentalizar o rosto de uma pessoa que não vê mais a tempo com a mesma perfeição quando a encara de frente! Tem anos (4 ou 5) que não consigo mais fazer esta façanha, o que é uma pena.

Tenho até hoje dúvida quanto à pesquisas feitas e comprovadas que dizem que todos os dias nós sonhamos. Como posso sonhar e não lembrar o que sonhei em alguns determinados dias? Está certo que nós não lembramos dos nossos sonhos depois de algum tempo, mas será tão rápido que em alguns dias no momento seguinte ao acordar não me lembro mais o que sonhei??

Outro acontecimento que me toma de preocupação, mas somente quando acontece, pois não costumo ligar para fatos extras para não me tornar paranóico como muitos, é o fato de que algumas vezes em um pesadelo forte, eu acordo com falta de ar monstruosa, chego inclusive a disparar o coração a 1000, e que tenho a impressão depois que recobro a calma, é de que se eu não acordasse naquele momento eu iria morrer de enfarte de parada respiratória. (?). Bem, esta foi a verbalização mais próxima do que sinto, uma mistura de enfarto com falta de ar violenta. Sei que isto não tem a ver diretamente com sonhos, mas estou sonhando (tendo pesadelo) enquanto sinto começar estes ataques ruins. Mas não se preocupem, sei que não se trata daquelas doenças conhecidas que a gente vê pela televisão e que temos que usar uma máscara de ar hospitalar, isso porque este acontecimento não aparece com frequência e porque em minha sã consciência sei que tem a ver com o pesadelo, só não sei o motivo ao certo. Por este motivo também além do primeiro apresentado, relatei aqui, pois apresenta relação, ligação com os sonhos.

Agora sim, embaixo virá o meu comentário.

Engraçado esta postagem ter relação com uma mais posterior que escreveu sobre o filme Cidade dos Sonhos (no original: Mulholland Drive) dirigido e produzido por David Lynch. Tratando-se de sonhos, querendo ou não, cientistas desconhecidos para mim, mas famosos no mundo científico afirmam que o estado da pessoa querer dormir até mais tarde e continuar sonhando, se em doses não precavidas e constantes, pode representar perigo à sanidade mental da pessoa, pois se trata da fuga da realidade, porque ela já está num estágio em que SEM PERCEBER acha melhor continuar sonhando do que acordar, sem perceber porque pra pessoa, isso é aparentemente nocivo. Os cientistas dizem que isso é sinal de que a pessoa confunde o que é real do que não é real, tende a achar que uma determinada ação sua ou interpretações suas são ditas "normais", ou seja, não percebe que as loucuras que sonha ou que deseja não acontecem, é como aquele que usa droga como fuga da realidade, dos seus problemas pessoais. Então, a pessoa que gosta de sonhar em demasia vive num mundo que não obedece ao seu padrão de comportamento. O que o torna louco. Em termos mais fortes o preconceituoso diria: "depravado, insano, doente" etc. O que discuto aqui não é a sanidade ou que/quem é normal ou qual padrão seja correto, até creio que um louco ou outro às vezes seja menos animal ou irracional ou doido do que uma pessoa dita "normal". Foucault, Thomas Stephen Szasz entre outros que estudaram neuroses e sistemas psiquiátricos me ajudem nesta hora, mas há loucos que são mais normais do que muita gente considerada normal. O louco não mata por poder, um psicopata (não todos é claro) não mata sem um motivo que para ele é lógico e cabível. Não entrando no mérito da questão, os cristãos mataram pessoas por motivos absurdos, seguindo seus conceitos éticos e morais, que eles mesmos criaram, seja por crença ou por poder, domínio sobre os outros.
Como eu disse antes, esse seu texto entre os de 2008 para mim é o mais significativo, diferentemente do que Paule disse ao falar: [...] "Eu falo (mas não creio) que, a mente, que é você, a minha mente, sou eu, é um todo criador que vive no subconsciente, o nosso mundo real, indivídualista (ele pontuou feio ai), cada um com o seu.
Você mesmo disse, quantas coisas que criou, e que poderia ser Deus... (nota: Paule é um punk anarquista) por que não ser? Você cria algum ser e dá vida à ele no seu subconsciente, seu mundo real, onde sua mente (você) está. [...]". Creio você em nenhum momento ter falado sobre Deus, mesmo tendo usado a palavra Deus - posso estar enganado -, mas sim tenho quase certeza que você escreveu relacionando seu desejo de que as pessoas agissem de tal maneira, mas quando você observa como sua vida caminha, não obtendo o final esperado, fica puto com os rumos que sua vida toma, seja por destino, acaso ou vontade própria. O que torna o fim de seu texto bem mais esculpido, ao por culpa à quem escreveu sua história. Ao mesmo tempo concluindo com o fim brilhante de que é melhor deixar as pessoas tomarem suas próprias decisões, por mais arbitrárias e por mais que você discorde delas, simplesmente aceitando como elas são e não tentando mudá-las, pois elas serão assim mesmo, diferente do que você quer, do que você deseja. A maestria que está embutida em seu texto se encontra ao se perguntar: "Se controlássemos como as pessoas agiriam conosco e com os outros, o mundo teria alguma graça?". Pois os personagens no fundo são autores de sua própria história. A relação entre uma sentença e outra em seu texto está em primeiro querer manipular seus acontecimentos a sua volta; depois se queixar de como sua vida está sendo "manipulada", negando a primeira sentença, ou banindo-a por exclusão, e, por último deixando de dar palavra ao personagem para dar palavra ao autor. Mas neste mundo de sonhos em que cada um é sonhado, e em sua metáfora o autor também é um personagem por também ser sonhado, o personagem não deixa de ser um autor, pois o autor quando era autor sonhava como os seus personagens agiriam, inclusive você mesmo:
"E a minha própria imaginação está ficando cada vez mais real. Tão real, que às vezes eu prefiro não sair de lá, e ficar imerso em meu mundo, que eu construí para mim mesmo, com todos os meus sonhos. Com todas as coisas no lugar, pessoas fazendo exatamente o que eu quero."

O texto de Leonardo Levi, por mais simples que aparente ser, foi bem escrito, digno de uma pessoa que aprecia a arte surreal de David Lynch.

Como eu havia dito a pouco, ele (Leonardo Levi) deve estar manipulando, fazendo um joguinho com seus leitores de atos benevolentes para estudar o comportamento humano, isso porque constrói um texto em que aparentemente fala sobre um lunático que vive fora da realidade, aquele que a sociedade preconiza e julga mas no fundo só escreveu uma sentença que tem um outro fundo por trás, mas com a intenção de ler palavras que inclusive li em seu blog: "desabafe", "posso ajudar", "escreva mais, gosto de seus textos" (este último na verdade, gosta de ver novela da vida real), entre outras coisas. Gosta de fazer um experimento humano. Eu mesmo confesso que gosto disso também, mas não chego a contar estas histórias meio escabrosas, não uso desse método. Eu sou capaz de convencer uma pessoa de que tenho 27 anos mesmo só tendo 22 e não aparentando nem de longe 27. A pessoa crê numa facilidade extrema, basta eu querer. Sou bom o bastante para com a lábia enrolar alguém, uma mulher ou uma pessoa de que aquilo que ela ganhou (objeto material), será mais útil em minhas mãos e que você deve me "presentear" (dar) seu objeto material que me interessa. Hoje em dia não me utilizo desses métodos, até porque já disse em postagens mais antigas que gosto de discutir idéias pela maiêutica ou por raciocínio lógico ou somente pela opção de uma nova filosofia de vida que escolhi em minha vida, para mim. Escolha não significa somente copiar o que já existe, mas criar.

O motivo de por o texto dele? Porque querendo ou não, sendo real o sentido ou motivo dele escrever ou não, ou ser somente um relato de sua vida, ele sabia que escrevendo algo como dizer que ele é um nerd ou alguma outra coisa, que vive em outro mundo e foge da realidade chama a atenção. E principalmente porque ele sabe que existem pessoas assim, então convencer pessoas com fatos verídicos, que sabemos que existem casos assim, é mais fácil do que os criados (possivelmente não reais se muito inventivo, mirabolante). E como se trata de um caso em que existem pessoas assim, esses nerds de que falei agora pouco e que a sociedade discrimina, postei este texto como mais um caso de Sonho/Loucura de que trata o tema desse meu escrito.

Ahh, e como não tenho noção de como classificar o que escrevi agora, marcarei como Filosofia, apesar de os outros marcadores como Religião, Arte, Política, Ideologia e tudo o mais estar embutido na Filosofia, a mãe de todas as ciências. Colocarei Filosofia por falta de imaginação no momento.

30 de dezembro de 2010

Reflexões de um velho poeta sem expressão nacional sobre o fim de ano

Este assunto já está saturado sobre o que os seres pensantes e principalmente conscienciosos acham sobre o Natal e o Ano Novo. Não vou aqui apontar críticas mais uma vez duras e severas a grande massa dos cristãos que comemoraram datas festivas sem saber o sentido de ser e o porque se comemora tal data. Como exemplo, poderia dar o símbolismo da árvore de Natal, do Ovo de Páscoa ou da Vela.

Gosto de dar vozes à pessoas desconhecidas no campo cultural, das artes. Pessoas que considero que tem algo dizer, algo sincero e verdadeiro. Será o único ano (final de ano) que escreverei sobre este tema já bastante abordado em vários blogs. Por isso postarei um poema do poeta Paulo Manuel de Macedo, que por sinal é cristão!!

ANO VELHO-NOVO

Fim de Ano,

todo ano é a mesma hipocrisia:

Papai Noel, Feliz Natal,

será Natal, que ironia.

Feliz Natal! Feliz Ano Novo!

Será Novo?

A ambição na família

unidas pela ganância do poder,

teremos esperança para viver?

A guerra fria,

é Fim de Ano, que alegria.

A miséria e a fome

é Ano Novo, brindemos ao homem

saúde! que saúde?

O câncer, a Aids, a dengue, a cólera...

O Ano Novo inicia...

Serei Feliz? Espero, por um dia!

Muito dinheiro? Que maravilha!

E a saúde? Vai melhorar;

E a casa própria? Vou esperar financiar;

E o trabalho, me dê uma chance, vou procurar.

Novo Ano...

Mais velha minha vida.

Nova vida, e eu, mais velho.

Esperança nova, a minha velha, cansou de esperar.

Novo amanhecer, espero acordar pra ver.

Novo começar, mas eu,

já estou voltando ao meu lugar.

Espero encontrar vazio

para poder descansar em paz.